segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Bebê


Bebê, estou longe de casa agora, mas você deve estar mais. Já faz algumas semanas que você se foi e eu espero que o universo seja justo e te presenteie com ininterrupto gozos e carinho atrás da orelha. Estive relembrando o nosso breve e recente passado...  Me lembrei do nosso primeiro passeio, há mais ou menos dois anos. Me lembrei do quão tolo eu era em pensar que você poderia me fazer algum mal. Me lembrei de sua ansiedade em passear e de seus músculos se sobressaindo a sua pelagem a cada passo firme que você dava, você praticamente me arrastava ao subir a ladeira da rua de casa. Me lembrei dos brinquedos que você inventava e dilacerava no pátio, vasos de plantas, escova de lavar, prendedores, garrafas de refrigente... E de seu semblante inocente ao ver minha reação perante sua astúcia. Ainda me lembro do seu jeito meigo e inofensivo de pedir carinho, de querer brincar e de pular ao nosso redor enquanto caminhávamos. Me lembro de como você se empenhava em nos fazer sentir bem, queridos e acolhidos. Me lembro de recentemente ter dito na ponta da escada que você merecia algo melhor que esse mundo e suas cruéis condições. Eu não quero mais me lembrar de seus últimos momentos e nem de boa parte dos momentos posteriores aos seus. Obrigado por tudo.


Com um nó cego na garganta,

Leo.

2015

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