domingo, 28 de agosto de 2016

Cmte. Almirante Moreira

Quinto dia isento comunicação tecnológica, sem celular, sem internet, abastecido pelo clarão do raiar do sol que de manhã cortava minha retina. Abastecido, também, pela sonoridade do tecnobrega e da música popular nortista, que se impunha empoderada a todos os tímpanos ali presentes. Anseios. Partidas. Pré-encontros. O homem em seu íntimo ritual cotidiano. Incontáveis redes atadas, meio a muita água, enxarcada de histórias. A gente facilmente se converte em um confidente para aqueles que necessitam de uma escuta. Assim foi com o venezuelano que seguirá para o Chile movido por uma esperança de melhorias financeiras, e com seu conterrâneo que carrega uma bíblia e segue com ela para São Paulo. E também o Sírio que foge da guerra. Os irmãos manauaras que sofreram abuso sexual pelo padrasto e estão sozinhos rumo a casa da vó em Porto Velho. O Angolano que cruzou o atlântico apenas por uma promessa de emprego em Rio Branco. A mulher assolada pelo machismo e convicta de que o amor não existe mais. Os Franceses que dão a volta ao mundo com suas motocicletas BMW 125. O meio do Rio num ponto de convergência antropológico.

2015

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