Quinto dia isento comunicação tecnológica, sem celular, sem internet, abastecido pelo clarão do raiar do sol que de manhã cortava minha retina. Abastecido, também, pela sonoridade do tecnobrega e da música popular nortista, que se impunha empoderada a todos os tímpanos ali presentes. Anseios. Partidas. Pré-encontros. O homem em seu íntimo ritual cotidiano. Incontáveis redes atadas, meio a muita água, enxarcada de histórias. A gente facilmente se converte em um confidente para aqueles que necessitam de uma escuta. Assim foi com o venezuelano que seguirá para o Chile movido por uma esperança de melhorias financeiras, e com seu conterrâneo que carrega uma bíblia e segue com ela para São Paulo. E também o Sírio que foge da guerra. Os irmãos manauaras que sofreram abuso sexual pelo padrasto e estão sozinhos rumo a casa da vó em Porto Velho. O Angolano que cruzou o atlântico apenas por uma promessa de emprego em Rio Branco. A mulher assolada pelo machismo e convicta de que o amor não existe mais. Os Franceses que dão a volta ao mundo com suas motocicletas BMW 125. O meio do Rio num ponto de convergência antropológico.
2015
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